Tribos indígenas na rede
arco

O índio Ayra, da tribo Kariri-xocó, de 50 anos está antenado ao mundo moderno, através da internet, com o site www.indiosonline.org.br. "A internet pesca conhecimentos", relata o índio.
O site é um projeto do ponto de cultura Thydewas, através da cultura viva, do ministério da cultura, e integra 11 comunidades indígenas do estado de Alagoas, Bahia, Paraíba, Espírito Santo. Todas as informações, fotografias e textos são produzidos e alimentados pelos próprios índios. Por dia, mais 1.500 pessoas acessam o site para se comunicar, informar, denunciar e promover as tradições indígenas.
O índio Nhenety, da tribo Kariri-xocó, é um dos mais entusiastas da nova tecnologia, principalmente para promover a sua cultura, tanto q ressalta que o seu nome significa “guardião da tradição”. Na sua experiência de sucesso com a internet nasceu outro projeto, o Livro Arco Digital, com os textos dos índios publicados na internet.
“O arco e a flecha são instrumentos de defesa, de caça, mas, hoje em dia, um computador com internet também pode ser utilizado pelos índios como um instrumento de defesa e caça”, declara o índio, confessando que, no começo, tinha medo da tecnologia.
O representante da Thydewas, Sebastian Gerlic, relata que a internet, além de promover a inclusão digital, é um canal entre as tribos indígenas e as instituições governamentais. “Através do site já foram aprovados projetos importantes, como a horta de plantas medicinais na tribo Pankararu (Pernambuco) pelo ministério da saúde. A horta é como uma farmácia natural e viva”, destaca Sebastian Gerlic.

Caça na era digital
Arco e Flecha: Computador e internet
Caçada:Elaboração de projetos
Caça: Projeto aprovado
Cozinhar: Executar

Tecnologia resgata identidade cultural

Graças a interação entre a internet e o programa Cultura Viva os Kariri-xocós concretizaram um sonho de gravar o registro cultural da tribo, CD e DVD da dança e canto do toré, o site dá mais visibilidade aos projetos indígenas, concretizando novas parcerias, como com o Banco do Nordeste e a Secretaria do Estado da Cultura, que estão apoiando o projeto musical.
Outro dado importante do site são as informações sobre o toré, como este texto reproduzido do site: “Os Kariri-xocós são um povo indígena de cultura musical, tendo no toré a sua representatividade maior. O toré é um conjunto de canto e danças indígenas q expressão os acontecimentos históricos e culturais, apresentando em forma de arte os fenômenos naturais do universo tribal.
Para o índio Nhenety, hoje em dia, a internet é importante para reunir os grupos e estudar todas as possibilidades: os órgãos do governo, seus editais e suas leis, as agências de cooperação, os financiadores, os programas, os patrocínios de empresas, o mundo das parcerias…
“Preparamos os nossos projetos e saímos em busca de concretizar a nossa caçada”, diz o índio.

Índios na rede

india

Desde que nasceu, há 17 anos, Olinda Wanderley, ou Clairê, seu nome indígena, ouvia histórias sobre o primo Erick. Ela, na Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu, Bahia. Ele, no bairro de Santa Cruz, Rio de Janeiro. Na primeira vez em que trocaram uma palavra, em 2004, não estavam em nenhuma tribo ou manifestação de índios: encontravam se, os dois, em frente a um computador, logados no chat do site discriminação dos brancos contra os índios, agravada pelas retomadas de terra. Íamos até as cidades próximas para mostrar a nossa cultura. Agora, com a internet, mostramos a nossa cultura para o mundo - explica. Além de textos e fotos, o site ainda mantém, desde o ano passado, o curso Arco Digital, financiado pelo programa “Novos Brasis”, do Oi Futuro, que também atua em sua gestão. Índios do Brasil participam de oficinas de cidadania, desenvolvimento e sustentabilidade, entre outras, através da internet e do trabalho de campo. - O Arco Digital é uma comunidade colaborativa de aprendizagem. Discutimos, por exemplo, o tipo de desenvolvimento que os índios querem para eles - afirma Sebastián Gerlic, presidente da Thydewas. Olinda, lá do início do texto, é uma das participantes das oficinas. Ela não mora mais em Caramuru, mas em Palmeiras, Chapada Diamantina, onde estuda. Como o primo Erick, quer um dia voltar. O encontro dos dois ao vivo aconteceu na própria aldeia e foi o primeiro, depois de anos de comunicação por internet.
A Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu hoje tem computadores conectados com o apoio do programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura, e do Gesac (Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão), do Ministério das Comunicações. - Com a internet, os índios reivindicam e, em alguns casos, já conseguiram melhorias, como, por exemplo, nos postos de saúde - diz Sebástian Gerlic, da Thydewá. Na aldeia dos Pataxó Hã-hã-hãe, um rapaz, picado por uma cobra, conseguiu socorro graças à grande rede. Na região onde mora, não há telefones, mas havia internet. Assim vivem os Pataxó Hã-hã-hãe: com internet, mas praticamente sem telefone e com estradas de acesso em péssimas condições. Sua história é marcada por expropriações e violência. A terra onde moram foi demarcada em 1937, mas foi invadida e transformada em fazendas, nas décadas seguintes. A partir de 1982, os índios deram início a um processo de retomada. Pataxó-Hã-hã-hãe é o nome que denomina índios de diferentes etnias (Baenã, Pataxó Hã-hã-hãe, Kamakã, Tupinambá, Kariri-Sapuyá e Gueren). Ainda assim, há boas notícias. Em 2008, a Escola Estadual da Aldeia Caramuru-Paraguaçu terá sua primeira turma de 3° ano do ensino médio.

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License